
Sucessão mineira depende de desempenho de Lula
O Centrão aposta nisso e tenta construir chapa com Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, tendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) de vice
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O presidente Lula aterrissará no estado hoje, pela sexta vez em 2025, para retornar a Contagem, segunda maior cidade do país governada pelo PT de Marília Campos. Depois, seguirá para Montes Claros, base eleitoral do presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite (MDB), onde vai inaugurar o Centro de Tecnologia e Inovação Agroindustrial da empresa Acelen Renováveis, conhecida como Acelen Agripark, para o desenvolvimento da macaúba na produção do combustível da aviação e diesel verde. Em Contagem, o presidente irá anunciar as obras do PAC de 2025 e deixará a sua marca: faz a entrega da primeira etapa do PAC da mobilidade, orçada em R$ 320 milhões, no Bairro Sede.
Assim como nas visitas anteriores, o senador Rodrigo Pacheco (PSD) estará ao lado de Lula, um dia depois em que o presidente admitiu, em entrevista à Record TV, que a chapa de seus sonhos para concorrer em Minas seria encabeçada por Rodrigo Pacheco, tendo Marília Campos como vice. Lula, que declarou ter sido de fundamental importância o papel de Rodrigo Pacheco à frente do Senado para a estabilidade democrática, afirmou ter sondado o senador. Pacheco pondera e interlocutores garantem, está bastante inclinado a concorrer.
Já a prefeita Marília Campos tem em mente, neste momento, concluir o seu mandato. A cautela da dupla, contudo, nada significa além do fato de que projetam, o que no jargão da ciência política se chama “coat tail effects”: como o desempenho do governo Lula evoluirá. É esse desempenho que será determinante para definir a dinâmica da sucessão presidencial e as composições nos estados. Por isso mesmo, Pacheco e Marília não estão com pressa.
Por todos os lados, o mar anda revolto. No campo do bolsonarismo, governadores presidenciáveis iniciam uma operação delicada de descolamento político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Seguem repetindo narrativas que tentam desqualificar as investigações da Polícia Federal e a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Bolsonaro por tentativa de golpe. Ao mesmo tempo em que martelam o enquadramento de que estaria em curso no país um “lawfare” e uma “ditadura da toga”, nos bastidores se articulam para viabilizar as próprias candidaturas.
Bolsonaro fora do páreo é bom para a direita que orbita o bolsonarismo. O Centrão aposta nisso e tenta construir chapa com Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, tendo o senador Ciro Nogueira (PP-PI) de vice. Daí a artilharia pesada de Eduardo Bolsonaro sobre os governadores presidenciáveis ter se intensificado após o lançamento da pré-candidatura de Romeu Zema (Novo) ao Planalto, que agora se junta à do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União).
Já Tarcísio não se lançou, mas é ungido pelo “establishment financeiro e produtivo”. Zema e Caiado, abertamente, e Tarcísio, discretamente, miram na polarização com Lula, assim tentando ocupar o espaço eleitoral do bolsonarismo raiz. Tal estratégia não passa despercebida por Eduardo Bolsonaro, que pelas mídias digitais dá o tom dos ataques, reproduzidos pelos deputados estaduais autênticos nos estados, inclusive em Minas, principalmente na voz do deputado estadual Bruno Engler (PL) e Caporezzo (PL) contra Zema.
Talvez a campanha de 2026 seja, em toda a história, aquela que mais cedo se explicita de forma escancarada. Zema, presidenciável com o menor partido político, quer polarizar com Lula. Também o vice-governador Mateus Simões (Novo) coloca o PT ao centro de sua estratégia de campanha. Tentam ocupar o espaço do bolsonarismo raiz. Mas haverá resistência. Não é intenção do ex-presidente da República nem de sua família entregar a liderança do campo, em meio ao desgaste que o tarifaço de Donald Trump sobre produtos nacionais impõe à família.
Mais cauteloso do que Romeu Zema, Tarcísio vai pesando as condições políticas. Tem mais a perder do que o governador mineiro, que, já reeleito, não poderá concorrer em 2026 ao Palácio Tiradentes. Com Tarcísio na disputa nacional, o cenário da sucessão em Minas será um. Sem o governador paulista, será outro. Por seu turno, a decisão de Tarcísio dependerá do desempenho de Lula. E aí retornamos ao início de tudo.
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Mérito Legislativo
O diretor regional da TV Alterosa, Gleizer Naves, será agraciado com a Ordem do Mérito Legislativo 2025, concedida pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O evento acontecerá no próximo dia 16 de setembro, às 10h, no Grande Teatro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, e marcará os 190 anos do Parlamento mineiro.
Gás do povo
O presidente Lula anunciará em Belo Horizonte, no Aglomerado da Serra, na próxima quinta-feira (4), o programa Gás do Povo, que atenderá com gás de cozinha gratuito 17 milhões de famílias de baixa renda. O programa substitui o Auxílio Gás.
Modus operandi
Como ocorre em todo ano que antecede as eleições proporcionais, o presidente estadual do PRD, deputado federal Fred Costa, pediu gentilmente aos deputados estaduais Doorgal Andrada, Dr. Paulo e Roberto Andrade que deixem a legenda para facilitar a composição da chapa para 2026. Nenhum deles ainda definiu o destino. Andrada antecipa que pretende aguardar definições do presidente da Casa, Tadeu Martins Leite (MDB).
Barata voa
Também o Avante, do deputado federal Luís Tibé, já avisou ao deputado estadual Arlen Santiago que precisa encontrar um novo destino. Ficarão na legenda Bim da Ambulância e Carol Caram.
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Funed
A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de decreto legislativo, de autoria da deputada federal Ana Pimentel (PT-MG), que reconhece a Fundação Ezequiel Dias (Funed) como Patrimônio Nacional da Saúde Pública. A aprovação ocorre justamente quando Minas Gerais enfrenta um avanço dos casos de meningite e a fundação anunciou o fim da produção das vacinas contra a doença. Para a deputada, a votação representa “resposta política ao desmonte de instituições públicas essenciais à proteção da vida”. “Estamos diante de dois fatos que não podem ser tratados como desconexos: a escalada da meningite e o esvaziamento de uma instituição estratégica. Isso nos obriga a discutir o financiamento da ciência, soberania sanitária e responsabilidade pública”, afirmou Ana Pimentel. Minas Gerais registrou 497 casos de meningite entre janeiro e julho de 2025, voltando aos índices anteriores à pandemia. Em 2024, foram 153 mortes. (Alessandra Mello)
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.