Bebel Soares
Bebel Soares
PADECENDO

Socorro, a menopausa chegou!

O pior dos castigos desse momento é que duas taças de vinho passaram a ter o mesmo efeito de beber uma garrafa de tequila

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Nunca imaginei que eu fosse passar por isso tão cedo, muito menos imaginaria que duraria tanto tempo. Os primeiros sintomas apareceram quando eu estava com 40 e poucos anos, mas não associei todos aqueles sintomas ao climatério. Não tinha fogachos, e, naquela época, eu ainda achava que o sintoma era apenas esse. Começou com uma mudança no meu ciclo menstrual, aí foi ficando irregular - um mês vinha um mar de sangue que nem um copinho coletor com um absorvente noturno seguravam. No mês seguinte, nem sinal, e eu, inocentemente, ia fazer teste de gravidez.

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Eu estava com 41 anos e tive uma crise depressiva que eu nem sabia que podia ser tão terrível. As amigas me encaminharam para o psiquiatra, que me medicou, aí fui melhorando. Coincidentemente, anos depois, em uma palestra sobre menopausa, a palestrante, uma ginecologista, disse que aquele remédio era indicado para mulheres na menopausa que não podiam fazer reposição hormonal. Fiquei bem.

Eis que, aos 44 anos, veio o diagnóstico de câncer de mama. Vieram receptor hormonal, cirurgia, depois radioterapia, precisei tomar Tamoxifeno para evitar recidiva (a volta da doença). Junto com todas essas etapas, vieram os fogachos, o nevoeiro mental e a depressão. Na época, eu não estava fazendo uso de antidepressivos e acabei precisando voltar.

 

Cinco anos depois, tive alta do tratamento oncológico. Eu já não menstruava há cinco anos. Os sintomas da pós-menopausa estavam quase desaparecendo e voltaram. Pior, ainda volta, turbinados, diga-se de passagem! As ondas de calor vêm junto com uma confusão mental, uma tontura, uma quantidade de suor absurda. Precisava dividir tudo isso com mulheres que estão passando pela mesma coisa. Fiz até um grupo de whatsapp e pedi para as participantes me ajudarem a listar os sintomas.

Fogacho, enxaqueca, sangramento nasal, insônia, ressecamento da pele, ressecamento dos olhos, falta de lubrificação, fadiga, sono durante o dia, falta de libido, ganho de peso, irritabilidade, nevoeiro mental, hematomas que surgem do nada, retenção de líquido, coceira no ouvido, queda de cabelo, baixa de cálcio, suor noturno, hemorragia, dor nas articulações, aumento da TPM, dor e inchaço nos seios, vertigem/labirintite, intolerância a bebidas alcoólicas, necessidade de cafeína, problemas de memória, e por aí vai.

Por causa do meu histórico de câncer de mama não posso fazer reposição hormonal, mas minha ginecologista disse que está chegando um medicamento sem hormônios para os fogachos. Isso vai ser muito bom. Cada vez que vem uma onda de calor, a sensação é de que está acontecendo um curto-circuíto no cérebro devido ao aumento da temperatura. Eu me sinto como um vulcão em erupção quando essa onda de calor vem, porque ela vem de dentro para fora e explode tudo.

E tem mais: com a queda hormonal na menopausa, o estrogênio - que exerce um papel protetor sobre os vasos sanguíneos - diminui. Como consequência, os vasos tendem a perder flexibilidade e o risco de formação de placas de gordura nas artérias aumenta progressivamente. “O estrogênio funciona como um aliado da saúde vascular. Quando ele cai, o organismo feminino passa a se comportar, do ponto de vista cardiovascular, de maneira mais semelhante ao masculino”, explica o médico Caio Focássio, cirurgião vascular e membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).

Ele conta que a menopausa não representa apenas o fim do ciclo reprodutivo, mas uma transição biológica que altera o funcionamento do sistema circulatório. Após a menopausa, cresce a incidência de hipertensão arterial, alterações no colesterol, aumento de casos de doença arterial periférica, trombose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

“Muitas mulheres associam a menopausa apenas a sintomas como ondas de calor e alterações de humor, mas deixam de observar sinais circulatórios importantes, como inchaço persistente nas pernas, dor ao caminhar, sensação de peso ou cansaço vascular. Na verdade, é a prevenção cardiovascular que deve ganhar protagonismo nessa fase da vida. O grande segredo está em praticar atividade física regularmente, manter o controle do peso, realizar avaliações periódicas de pressão e colesterol e investigar os sintomas circulatórios sempre com acompanhamento médico individualizado”, acrescenta o médico.

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Fácil, não é, mas eu tenho uma boa notícia. Se você está com esses sintomas, é sinal de que você está viva, então se cuide! Para mim, o pior dos castigos desse momento é que duas taças de vinho passaram a ter o mesmo efeito de beber uma garrafa de tequila. Agora só bebo cerveja sem álcool e penso muito antes de aceitar a segunda taça de vinho.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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