Anna Marina
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ANNA MARINA

Já sentiu vergonha alheia? Eu senti, na terça-feira

Fiquei com muita vergonha do escândalo que se abateu sobre o Supremo Tribunal Federal do nosso país

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Sinceramente, não queria escrever uma linha sobre o escândalo que se abateu sobre o Supremo Tribunal Federal do nosso país, por vários motivos. Todo mundo já está falando, é uma overdose desse assunto, é chover no molhado e não sei se falar mais vai adiantar alguma coisa. E, por último, e talvez o mais importante, fico com receio que esbarre em alguma questão eleitoral que não quero abordar e não posso.

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Mas depois da extensa sessão de anteontem, que assisti ao vivo durante toda a tarde – pela manhã estava fazendo a divulgação e entrega do Prêmio Estado de Minas de Arquitetura e Design de Interiores, na CasaCor Minas – fiquei com muita vergonha. Mesmo assim, não estava considerando escrever sobre o assunto.

De noite, tive um compromisso social profissional e encontrei com várias pessoas e não se falava em outra coisa. Uns porque acompanharam, outros porque queriam saber. Quem viu comentava indignado as grosserias e afrontas dirigidas ao presidente Fachin e a forma como alguns ministros falavam que não se importavam com a opinião pública e nem com pressão externa.

De fato, se sobre pressão externa estavam falando das matérias apresentadas pelo ministro Dino, sobre possíveis sanções que os EUA poderão impor ao Brasil, até concordo. Mas ignorar a opinião dos brasileiros, que são o povo que eles deveriam defender, realmente assusta.


Outra questão que assustou e, isso, sim, me deu vergonha alheia, é como os amigos de Alexandre de Moraes se uniram a ele para monopolizar a sessão, falando sem parar, de forma chula, debochada, citando inclusive programas humorísticos. Enfim, tudo era válido para não deixar os outros falarem e alcançarem o resultado desejado. E fazer o povo brasileiro de palhaço. Alguém aí sentiu um cheirinho de pizza?

E muitos não sabiam, afinal, o que de fato aconteceria agora. Ontem, cheguei cedo ao jornal, e vários colegas que não são da Redação e muitos que não têm a compreensão do que pode acontecer foram me parando e perguntando: e agora? Não vai dar em nada? E se empatar?

Pelo que pesquisei, tem vários caminhos. Primeiro, que a questão do empate ser pró-réu é só em julgamento, o que não é o caso, já que estamos em esfera administrativa. Em caso de empate, cabe o voto de desempate do presidente do STF.

Mas houve um pedido de vistas que leva 90 dias, ou seja, a pauta será para dezembro. Em dezembro, já teve eleição, portanto o ministro do STE, Kassio Nunes Marques, está liberado para votar, então será número ímpar de ministros, o que não vai dar empate. Resta saber para que lado ele vai pender.

A única que demonstrou ter a real dimensão da gravidade do problema pelo qual estão passando e que deseja resolver o problema sem corporativismo é a ministra Cármen Lúcia, que declarou estar envergonhada e pediu desculpas ao povo.

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Mesmo que o corporativismo ganhe e que tudo continue como dantes no quartel de Abrantes, ainda temos o Senado, que pode agir. E aí veio um comentário de um dos meus colegas de trabalho. “Ah, e eles estão falando muito em impeachment”, no que outro responde: “Resta saber se continuarão com este discurso depois das eleições”. Por isso é preciso votar com consciência.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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