Anna Marina
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ANNA MARINA

O prazer de ver coisas que estão sendo revividas

Comprar um disco significava mais do que adquirir músicas. Era escolher um artista, economizar dinheiro, chegar em casa, abrir a embalagem e descobrir o encarte

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Sempre fui daquelas que gosta de ter filmes e músicas de que gosta. Por isso sempre comprei os desenhos clássicos da Disney, desde que foram lançados em fita VHS, depois em DVD e Blue Ray. Guardava LP, depois me desfiz deles, porque minha aparelhagem estragou, mas substituí por CD.

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E quando surgiu a possibilidade de gravar CD com as músicas que gostava, fiz uma caixa com várias coletâneas. Minha filha sempre me criticou por isso e já falou para eu vender, doar ou jogar fora, porque posso ter acesso a tudo nos streamings e no Spotify. Mas não tenho coragem.


Acho que, em algum ponto, estou certa. Os discos de vinil voltaram a ficar em alta e não é que o CD, que muitos juravam ter desaparecido para sempre, está de volta?! Para a moçada, são aquelas peças redondinhas prateadas com um furinho no meio. Depois de anos escondido em caixas, gavetas e armários, o velho companheiro dos anos 1990 e 2000 começa novamente a ocupar espaço nas prateleiras – e, principalmente, na memória de quem cresceu ouvindo música nele.


A volta do CD pode parecer estranha em uma época em que carregamos milhões de músicas no bolso. Hoje, basta abrir um aplicativo para encontrar praticamente qualquer artista. Tudo está a poucos toques da tela. Mesmo assim, os CDs voltaram a despertar interesse.


E talvez exista uma explicação simples para isso: possuir alguma coisa ainda tem valor. Durante anos, fomos convencidos de que o futuro da música estaria nos streamings, com acesso rápido, barato e conveniente. Mas, agora, mesmo pagando, temos que engolir anúncios. E isso dá raiva.


O CD ocupa espaço. Tem capa, encarte, fotografias, cheiro de coisa guardada. Precisa ser colocado em um aparelho. Obriga o ouvinte a escolher um álbum e, por alguns minutos, simplesmente escutá-lo. Talvez seja justamente essa pequena dificuldade que esteja despertando novamente o interesse.


Pelo visto, nada como a nostalgia. Comprar um disco significava muito mais do que adquirir músicas. Era escolher um artista, economizar dinheiro, chegar em casa, abrir a embalagem e descobrir o encarte.


Muitas vezes, o álbum acompanhava momentos importantes da vida. A novidade é que o retorno não pertence apenas aos nostálgicos. Jovens que nunca viveram o auge dos CDs também estão descobrindo o formato. Para eles, aquilo que parecia velho para os pais pode parecer novo, diferente e até interessante.


O mercado percebeu isso. Artistas passaram a apostar novamente em edições físicas, algumas acompanhadas de fotografias, cartões e outros itens colecionáveis. O CD deixou de ser apenas uma forma de ouvir música e virou uma lembrança do artista. É curioso observar como a cultura funciona. Primeiro, abandonamos uma tecnologia porque ela parecia ultrapassada. Depois, sentimos falta dela justamente por aquilo que a tecnologia moderna não consegue reproduzir.


O CD não está voltando para vencer o streaming. Está voltando para coexistir com ele. Podemos continuar ouvindo músicas pelo celular durante o caminho para o trabalho e, ao chegar em casa, colocar um CD antigo para tocar. Podemos ter uma biblioteca inteira na nuvem e, ao mesmo tempo, uma pequena coleção de discos na estante. Eu tenho uma grande, agora falta comprar um novo aparelho, porque o meu já foi pras cucuias.


No fundo, estamos recuperando o prazer de possuir alguma coisa. Em um mundo cada vez mais digital, ter um objeto físico pode ser uma forma de guardar lembranças. O disco que está na sua estante, porém, continua sendo seu.

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Então, se você ainda tem um Discman esquecido no armário, talvez seja hora de procurá-lo. O aparelho que um dia parecia pertencer ao passado pode estar prestes a ganhar uma segunda vida.
E, quem sabe, junto com ele, algumas boas lembranças também voltem a tocar.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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