Anna Marina*
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ANNA MARINA

A delícia do balanço do trem entre as montanhas de Minas

Fiz a viagem de trem para Governador Valadares. É uma delícia voltar um pouco ao tempo dos nossos avós

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Em um dos nossos encontros de amigas, alguém sugeriu irmos de trem para Governador Valadares. Somos 15 amigas no grupo e nenhuma de nós tinha feito essa viagem, apesar de uma delas ser de GV, ter família lá e ir com frequência.

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Animamos. Marcar a data foi o mais complicado, porque a maioria trabalha muito. Já viram o tempo que levou. Finalmente, data marcada. Sairíamos daqui em uma sexta, 3 de julho, e retornaríamos no domingo, 5/7. Ninguém pensou em Copa do Mundo e muito menos em dia de jogo do Brasil. Duas não puderam ir. Perderam, e sentimos muito a falta delas.

Fiquei de comprar as passagens no Trem da Vale pelo site. Só não gostei de não poder escolher os lugares. Com isso ficamos espalhadas em dois vagões. Acredito que se comprasse na bilheteria da estação conseguiria escolher as poltronas e teríamos ficado mais próximas. Mas isso não foi problema. 

A programação que faríamos na cidade ficou por conta de Juliana Boechat, que é de lá, e é designer de interiores das melhores – nosso grupo tem várias profissionais da área, todas excelentes. Subida ao Pico da Ibituruna, cartão-postal da cidade para ver o pôr do sol, jantar no Ribeiro Fiorentini restaurante e empório de uma família fabricante de queijos, visita à fazenda do empresário Odilon Mattos, onde ele cresceu e a NB Projetos – leia-se Juliana Boechat e Patrícia Nicácio – ampliou a casa, reformou e criou vários ambientes.

Enquanto aguardávamos o dia do embarque, contávamos para todo mundo sobre nossa aventura. Algumas pessoas elogiavam demais a viagem de trem. Falavam sobre a beleza da paisagem, a delícia do balanço do trem, a qualidade e a limpeza dos vagões. Outras diziam que iríamos querer voltar de avião, que o trem era sujo.


Como algumas pessoas não sabem ver a beleza na simplicidade das coisas? Como só veem defeitos, os menores que sejam e amplificam, tornando-os gigantescos? Sou daquelas que sempre veem o copo cheio, mesmo que ele esteja pela metade. Com tantas informações antagônicas, fui com meu olhar crítico de jornalista e só posso dar parabéns para à Vale.

A vista é linda. O trem é uma delícia e limpo. Os banheiros são limpos toda hora. A equipe que trabalha no trem é muito educada e simpática. Um carrinho de venda de água, sucos, refrigerantes e café, sanduíches, pão de queijo, salgados, biscoitos e snacks circula o tempo todo, inclusive com cardápio para encomendarmos almoço ou jantar.


A cadeira reclina, tem televisão – com filme em circuito interno – local para colocar fone de ouvido e escolher outro filme, caso queira; local para apoiar os pés. E é uma delícia voltar um pouco ao tempo dos nossos avós. Nós carregamos nossas malas e as guardamos no vagão.

Só tem um vagão-restaurante. Achei pouco, porque atende todo mundo. Assim que entregam o pedido, só podemos ficar 20 minutos, a não ser que tenha mesas vazias, aí eles deixam a gente ficar mais tempo. A Vale poderia investir e colocar mais um vagão-restaurante, porque é uma delícia ficar sentada conversando e pedindo café e comidinhas durante a viagem. 

O balanço do trem é suave, não causa enjoo, ao contrário, pode até ajudar a dormir. O trem vai parando em várias estações ao longo do trecho. Acabamos conversando com todos e muitos dos “vizinhos” encontramos na volta. De novo, tenho que parabenizar a Vale, mas preciso sugerir algumas coisas. Coloquem internet no trem. A viagem é longa e muita gente poderia aproveitar para adiantar algum trabalho.

Domingo, todos os passageiros queriam ver o jogo do Brasil, mas foi impossível por falta geral de sinal. Acho, também, que poderiam abrir novos trechos, porque é uma delícia essa viagem com trem e um ótimo programa para se fazer com família, levar os netos. Não deixem isso acabar nunca, invistam cada vez mais em melhorias e nos levem para outros destinos!

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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