Anna Marina*
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ANNA MARINA

Mente no 'piloto automático' x mente imperturbável

Enquanto o 'piloto automático' opera com base em memórias e atalhos neurais, a mente imperturbável ativa reflexão, análise contextual e intencionalidade

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A escritora Eliane Sato, especialista em neurociência aplicada ao comportamento humano, enviou artigo que achei muito interessante. Vou publicá-lo na íntegra nas colunas de hoje e amanhã. Confira a seguir:

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“Vivemos em uma era de alta demanda cognitiva e emocional, onde metas, prazos, múltiplos papéis sociais e excesso de estímulos digitais pressionam o cérebro a buscar eficiência. Nesse contexto, o 'piloto automático' deixa de ser apenas um recurso funcional e passa a se tornar um estilo de vida.

E é aí, quando o ‘piloto automático’ passa a comandar não apenas rotinas operacionais, mas também decisões emocionais e comportamentais, que entramos em um estado de funcionamento reativo. Agimos por condicionamento, respondemos com base em experiências passadas e repetimos padrões aprendidos sem questionamento consciente.

Do ponto de vista neurobiológico, isso significa menor ativação de circuitos ligados à autorregulação e maior predominância de respostas rápidas associadas à memória emocional. O cérebro prioriza eficiência e previsibilidade, e a consequência é a redução da presença e da consciência situacional.

Os sinais são claros: mente dispersa, dificuldade de concentração, impulsividade, sensação de esvaziamento emocional e perda gradual de significado nas atividades diárias. A pessoa mantém desempenho externo, mas experimenta desconexão interna. É o chamado modo sobrevivência, bastante funcional, porém limitado.

A mente imperturbável não é ausência de emoção, mas a capacidade de regulação emocional, em uma habilidade de reconhecer estímulos internos e externos, processá-los com consciência e escolher respostas deliberadas.

Neurocientificamente, envolve maior integração entre áreas responsáveis pelo processamento emocional e regiões associadas à tomada de decisão e controle executivo, e, em termos práticos, significa criar um intervalo entre estímulo e resposta.

Enquanto o ‘piloto automático’ opera com base em memórias e atalhos neurais, a mente imperturbável ativa reflexão, análise contextual e intencionalidade, com a interrupção do ciclo estímulo-reação e introdução do elemento escolha.

No ambiente corporativo, a permanência no automático pode gerar excesso de confiança, redução da percepção de risco e normalização de comportamentos apressados. Pequenos desvios tornam-se rotina e a atenção fragmentada compromete decisões estratégicas.

Já na esfera emocional, o efeito é ainda mais silencioso, uma vez que a pessoa mantém produtividade, mas reduz contato com as próprias necessidades. Emoções são suprimidas para sustentar desempenho, e esse padrão prolongado favorece quadros de ansiedade, irritabilidade crônica e esgotamento.”

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* Isabela Teixeira da Costa/Interina

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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