Variações bruscas de temperatura aumentam riscos à saúde de idosos
Segundo estudo, entre 2000 e 2018, mais de 48 mil morreram no Brasil devido a ondas de calor; 94% das mortes foram de pessoas acima dos 65 em certas regiões
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Os idosos estão entre os que mais sentem os efeitos da alternância entre sol, chuva, frio e calor intenso. Desidratação, queda da imunidade e episódios de resfriado podem surgir nesse cenário, especialmente quando as oscilações são frequentes. Para a geriatra e gerontóloga Mônica Campanha, esse tipo de instabilidade merece atenção redobrada, pois pode agravar problemas de saúde já existentes, quando há falhas nos cuidados.
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O organismo do idoso tem mais dificuldade de se adaptar às mudanças rápidas de temperatura. Há uma redução na capacidade de regular o calor corporal, além da maior presença de doenças crônicas e do uso de medicamentos que podem interferir nessa resposta. Por isso, eles acabam sentindo mais os efeitos das oscilações do clima. Isso sem contar que a pele das pessoas mais velhas é mais fina e mais sensível.
Um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade de Lisboa reforça a preocupação: entre 2000 e 2018, mais de 48 mil pessoas morreram no Brasil devido a ondas de calor. Em algumas regiões, 94% das mortes foram de pessoas com mais de 65 anos.
Por conta dessa fragilidade, nos dias mais quentes, todos os cuidados devem ser redobrados. As roupas devem ser preferencialmente de algodão e bem leves. Os médicos recomendam usar protetor solar diariamente com alto nível de proteção. Evitar exposição ao sol, principalmente entre 10h e 16h, quando o sol está mais forte. E se choveu e deu uma esfriadinha? Podemos usar algo que seja fácil de retirar, caso o calor volte, como um xale ou uma manta.
A geriatra alerta para a necessidade de manter a hidratação em dia. É preciso beber água várias vezes ao dia, além de sucos, vitaminas e água de coco. Um cálculo comum para indicar a dosagem mínima de consumo de água por dia é ingerir ao menos 30 ml para cada quilo.
Se a pessoa idosa pesa, por exemplo, 70 quilos, o ideal é que ela consuma pelo menos 2,1 litros de água diariamente. Dra. Mônica explica que a desidratação é um dos grandes perigos dos períodos quentes para a população da terceira idade.
Se apresentar sinais de boca seca, confusão mental, tontura e urina escura, há um risco de ser desidratação. A alimentação deve ser leve, rica em verduras, frutas e legumes, mantendo um intervalo médio entre as refeições. O consumo de alimentos no fim da noite, antes de dormir, deve ser evitado.
Quando a oscilação faz a temperatura cair, os cuidados mudam, mas o sinal de alerta não. Os principais perigos das baixas temperaturas são a hipotermia e as infecções respiratórias. Para evitar esses problemas, a geriatra orienta: é preciso ficar agasalhado e manter a pele e o corpo hidratados. Além disso, ela recomenda a prática da atividade física regular, desde que seja realizada sob supervisão.
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* Isabela Teixeira da Costa/Interina
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
