Aprenda a se desligar do trabalho nas férias e voltar renovado
Psicóloga alerta que não se desligar completamente anula o propósito regenerativo do descanso, diminuindo o bem-estar e também a produtividade no retorno
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Tem gente que sai de férias, mas não desliga do trabalho. Neste quesito, tenho que fazer o “mea culpa”, porque sou assim. Geralmente, fico anos sem tirar férias e, quando tiro, acabo sempre adiantando o trabalho e deixando algumas colunas prontas antes de sair.
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Férias, de desligar os plugs completamente, tirei em janeiro de 2025, 30 dias direto. Tenho que confessar que foi restaurador. Estou tocando neste assunto porque recebi um material bem interessante que aborda essa questão.
Muitas pessoas saem de férias, mas sempre dão aquela olhadinha rápida no e-mail da empresa, no grupo de trabalho ou a “última olhada” no sistema. Com isso, o tão desejado período de férias corre o risco de ser sabotado pela hiperconectividade e pela culpa de estar fora do escritório.
A psicóloga e doutora em administração Renata Livramento alerta: não se desligar completamente anula o propósito regenerativo do descanso, diminuindo o bem-estar e, ironicamente, a produtividade no retorno.
O desconectar precisa ser intencional e estratégico. Muitos profissionais chegam às férias exaustos e levam a exaustão na bagagem. A mente continua em modo de alerta, monitorando crises imaginárias. É preciso saber que o descanso é uma necessidade biológica e cognitiva.
O cérebro precisa de um reset para consolidar memórias, reduzir o cortisol (hormônio do estresse) e restaurar a criatividade, explica a dra. Renata.
Segundo a psicóloga, achar que o trabalho vai parar sem você ou que só você sabe fazer é uma armadilha que beneficia o estresse, mas não a carreira. Ela diz que a sensação de ser insubstituível é um sinal de falha na gestão. Uma organização saudável deve ter processos que permitam a ausência planejada de qualquer colaborador. Voltar das férias com a mesma carga de esgotamento é um fator de risco para o burnout.
Para garantir que o período de recesso cumpra seu papel de recarga, Renata Livramento sugere que a preparação para as férias seja encarada como um projeto de gestão. Organize o fluxo de trabalho nas semanas que antecedem, mapeie as tarefas críticas e designe um backup claro.
Crie uma matriz de emergência. Defina o que é realmente urgente e quem deve ser acionado, o que pode esperar 15 ou 30 dias. Comunique sua ausência de forma assertiva a clientes e colegas, estabelecendo expectativas.
Nas férias, passe menos tempo nas telas e mais tempo em atividades que exijam foco no presente, como cozinhar, ler um livro impresso, passar tempo na natureza. Quando retornar, a sua capacidade de resolver problemas estará maior porque permitiu que a mente processasse desafios de forma inconsciente. Fica a dica.
*Isabela Teixeira da Costa/Interina
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
