Entendendo a vacina personalizada de mRNA para câncer
Os resultados positivos indicam que um tratamento com potencial para prolongar a vida está um passo mais próximo de chegar ao mercado
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Uma vacina experimental personalizada contra o câncer, à base de mRNA e desenvolvida pela Merck e pela Moderna, obteve sucesso em prevenir a recorrência ou a disseminação do melanoma em um estudo de estágio avançado com pacientes de alto risco, anunciaram as empresas na semana passada, fato que provocou uma enorme repercussão na mídia e redes sociais de todo o mundo.
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Os resultados positivos indicam que um tratamento com potencial para prolongar a vida está um passo mais próximo de chegar ao mercado. Eles também sinalizam um avanço novo, significativo e poderoso na medicina personalizada e no tratamento oncológico.
O estudo combinou a vacina personalizada Intismeran com o imunoterápico anti-PD-1 pembrolizumabe (Keytruda), da Merck, em pacientes que haviam passado pela remoção cirúrgica de melanomas. As empresas informaram que o estudo atingiu seu objetivo principal de prolongar a "sobrevida livre de recorrência" (RFS) — ou seja, o tempo que pacientes de alto risco vivem sem que o melanoma de alto risco de recaídas retorne.
O estudo também alcançou um objetivo secundário: prevenir a disseminação do câncer para outras partes do corpo. Esses resultados sugerem que a vacina pode prolongar o período em que o paciente permanece livre da doença, mas ainda não está claro por quanto tempo ela pode ajudar a manter os pacientes livres do câncer. Normalmente, apenas cerca de um terço dos pacientes com a forma mais grave da doença sobrevivem por cinco anos após o diagnóstico.
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O estudo recrutou 1.137 pacientes que, após a remoção cirúrgica completa, foram randomizados para receber a vacina e o Keytruda ou apenas o Keytruda por aproximadamente um ano. Alguns pacientes alocados apresentavam tumores grandes em uma área específica, enquanto outros tinham câncer que havia se espalhado para outras partes do corpo, mas que foi removido com a cirurgia.
Como funciona a vacina de mRNA?
A vacina é produzida sob medida para o indivíduo: analisa-se o tumor e cria-se uma vacina que mostra ao sistema imunológico o que deve ser alvo de ataque. As vacinas personalizadas contra o câncer representam uma forma fundamentalmente diferente de encarar o tratamento da doença. Em vez de administrar o mesmo medicamento a todos os pacientes, desenvolve-se um tratamento específico para cada indivíduo, levando em conta a assinatura genética única do seu câncer.
Primeiro, os médicos removem o tumor de cada paciente. O DNA dessa biópsia é então analisado em busca de mutações nas células tumorais. Essas mutações podem gerar proteínas anormais, conhecidas como neoantígenos, que por sua vez podem ser potencialmente reconhecidas pelo sistema imunológico. A vacina utiliza mRNA para fornecer instruções correspondentes a neoantígenos selecionados, com o objetivo de treinar o sistema imunológico do paciente — particularmente suas células T — para reconhecer e atacar as células cancerígenas que os portam.
A vacina é administrada em nove doses a cada três semanas, juntamente com um ciclo do imunoterápico pembrolizumabe a cada três semanas. Neste estudo, cada tratamento personalizado codifica até 34 neoantígenos, o que auxilia a mostrar ao sistema imunológico o que procurar, enquanto o imunoterápico ajuda a liberar os freios da resposta imune.
Poderia funcionar para outros tipos de câncer?
A Merck e a Moderna estão testando outras vacinas personalizadas semelhantes para cânceres de pulmão, bexiga e rim. Os estudos da vacina contra o câncer de pulmão chegaram à fase final (fase 3), enquanto os testes para câncer de rim e bexiga ainda estão na fase 2.
Este é um momento empolgante para a imunoterapia do câncer. É provável que as vacinas façam diferença em certos cenários onde a carga tumoral imunogênica seja baixa.
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Apesar de todo o entusiasmo propiciado por essa auspiciosa notícia, é importante ressaltarmos que essa vacina não previne o câncer, mas sim a recorrência em quem já foi operado. Os custos são elevados. Estima-se que custe cerca de 100 mil dólares por paciente. O tratamento ainda é considerado experimental, uma vez que ainda não foi aprovado por nenhuma autoridade regulatória. Portanto, ainda há um longo caminho a ser trilhado entre esse anúncio e o acesso real para o conjunto da população.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
