Microplásticos e câncer de próstata: uma preocupação
Os pesquisadores encontraram microplásticos em 90% dos pacientes. Eles identificaram microplásticos em 90% dos tumores e em 70% das amostras de tecido benigno
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Microplásticos podem ser encontrados em tumores de câncer de próstata. Amostras de tumores de próstata apresentaram uma concentração maior de microplásticos do que o tecido benigno.
Uma avaliação de 10 homens com câncer de próstata revelou que 90% apresentavam microplásticos em seus tumores, com concentrações superiores ao dobro daquelas encontradas no tecido prostático benigno adjacente. Os dados estão sendo apresentados no Simpósio de Cânceres Geniturinários da Sociedade Americana de Oncologia e corroboram as crescentes preocupações sobre os potenciais efeitos dos microplásticos na saúde.
Há estudos demonstrando que indivíduos com microplásticos e nanoplásticos em placas da artéria carótida apresentavam um risco três a quatro vezes maior de ataque cardíaco, derrame e morte por todas as causas. Esse fato preocupante trouxe o assunto à tona como uma questão de saúde pública, uma vez que os plásticos são onipresentes e seu uso e descarte só tendem a aumentar com o tempo.
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Outros estudos mostraram que microplásticos podem ser encontrados em praticamente todos os órgãos do corpo humano.
Essas investigações levaram o pesquisador Loeb e seus colegas a avaliar se eles também poderiam ser encontrados em tumores de câncer de próstata, pois o câncer é uma doença na qual há uma forte ligação com a inflamação crônica. Segundo os investigadores, se essas partículas de plástico estão causando inflamação crônica em tecidos humanos e na placa carotídea, causando mais eventos cerebrovasculares, é razoável supor que elas também possam exercer um efeito deletério no tecido prostático.
Loeb e seus colegas recrutaram 10 homens com câncer de próstata que seriam submetidos à prostatectomia radical para investigar o assunto. Eles demoraram cerca de um ano para estabelecer os protocolos deste estudo, tentando minimizar a contaminação das amostras entre o momento em que estão no corpo do paciente e o momento em que foram analisadas.
Várias adaptações e substituições nas salas de cirurgia, laboratórios de patologia e no laboratórios de química tiveram que ser realizadas, para que materiais à base de plástico fossem substituídos por outros, para se evitar a contaminação. O que não pode ser substituído levou os investigadores a considerar um controle negativo para se subtrair a assinatura de algo que pudesse ter entrado em contato com a próstata.
A quantidade de microplásticos, a abundância de partículas, a morfologia e a composição química serviram como parâmetros de avaliação do estudo.
Os pesquisadores encontraram microplásticos em 90% dos pacientes. Eles identificaram microplásticos em 90% dos tumores e em 70% das amostras de tecido benigno. Já os tumores malignos apresentaram uma concentração média de microplásticos de 39,8 µg/g, em comparação com apenas 15,5 µg/g no tecido benigno.
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Os microplásticos mais comuns detectados foram náilon-6 e poliestireno. Os pesquisadores também identificaram polietileno e copolímeros de polietileno.
Os autores ressaltaram que é assustador o encontro de pedaços de garrafa de água em tumores de próstata. Segundo eles, trata-se de plásticos de consumo muito comum, como o filme plástico que envolve a embalagem de um alimento. Entretanto, os pesquisadores reconheceram as limitações do estudo, incluindo o pequeno tamanho da amostra.
Loeb e seus colegas receberam uma verba para expandir a pesquisa para 30 pacientes e esperam obter dados no próximo ano, pois esses achados iniciais devem ser apenas o começo da pesquisa. Segundo os autores, esses relevantes e preocupantes achados precisam ser estudados em todos os demais tipos de câncer, bem como para outras condições relacionadas à inflamação.
Mais dados e futuras pesquisas poderão ajudar a moldar políticas e embasar a tomada de decisões no futuro. Os plásticos são usados em todos os aspectos da vida. Eles são usados para armazenar alimentos. Estão em roupas e até no ar que se respira. Serão necessárias muito mais pesquisas como esta para que o real impacto dos microplásticos em nossa saúde sejam avaliados. A partir daí, será necessário promover uma mudança significativa em relação a esse tipo de material, especialmente o processo de substituição por materiais mais seguros.
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Enquanto isso, parece prudente fazermos o possível para reduzir a exposição desnecessária. Por exemplo, não aquecer alimentos em recipientes de plástico e usar recipientes que não sejam de plástico para armazenar alimentos.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
