Ana Mendonça
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EM MINAS

Bastidores da convocação de Pacheco em Minas

Lula preteriu Rodrigo Pacheco para uma vaga no Supremo justamente para mantê-lo no jogo político

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“Ainda não desisti do Pacheco”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao comentar, no ano passado, a sucessão em Minas. Meses depois da declaração, o cenário permanece aberto: o senador Rodrigo Pacheco é tratado como prioridade do Planalto para disputar o governo em 2026, mas a candidatura segue sem anúncio formal e depende de filiação partidária e de negociação com o PT mineiro.

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A operação está em curso e envolve movimentos coordenados. Em reunião antes do carnaval, Lula reforçou o convite ao senador, pediu contato constante nos dias seguintes e chegou a chamá-lo para integrar a missão oficial à Índia e à Coreia do Sul. Pacheco preferiu permanecer no Brasil para tratar das articulações políticas e da própria filiação. O gesto foi interpretado como sinal de que a definição passa pelo ajuste partidário.

O movimento do Planalto não é improvisado. Lula preteriu Pacheco para uma vaga no Supremo Tribunal Federal justamente para mantê-lo no jogo político. O gesto foi lido por aliados como parte da estratégia de convencimento. O senador, que no fim do ano passado afirmava que deixaria a vida pública ao término do mandato, recuou. Interlocutores relatam que ele admite a candidatura e que o martelo pode ser batido nos próximos dias, após nova conversa com o presidente.

Se Lula precisa de Pacheco para estruturar o palanque em Minas, o PT estadual exige garantias. Depois de informações extraoficiais apontarem que a candidatura estaria confirmada, a presidente do partido em Minas, deputada estadual Leninha, divulgou nota em que afirmou: “É público que sempre reconhecemos em Rodrigo Pacheco um nome com densidade política para a disputa ao Governo de Minas Gerais.” Mas ressaltou que não há definição. Lembrou que o debate depende de “um cenário mais amplo, que também envolve as definições nacionais do partido”. E que a decisão será conduzida no grupo de trabalho eleitoral e nas instâncias partidárias, de forma coletiva. “Assim que houver definições oficiais, elas serão comunicadas pelos canais do partido”, registrou.

Nos bastidores, a leitura foi direta: a decisão não será imposta de cima para baixo.

A resistência interna tem base política, partidária e eleitoral. O PT em Minas já organizou parte do tabuleiro. O nome ao Senado está definido: Marília Campos, prefeita de Contagem, que deve se afastar do cargo no fim de março. A segunda vaga foi discutida entre Alexandre Kalil (PDT) e o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), com tendência favorável a Kalil, que até então é pré-candidato ao governo. A chapa está em construção. Entregar a cabeça ao governo a um senador que não faz parte das articulações atrapalha o equilíbrio interno.

O deputado federal Rogério Correia (PT) sintetizou a posição ao afirmar que a confirmação do nome “será feita no momento certo”. Disse que é preciso aguardar o retorno de Lula ao Brasil e resolver a questão partidária, já que o senador terá que deixar o PSD. A declaração reforça que o PT não trabalha com fato consumado.

A segunda razão da resistência é orgânica. O partido quer que a decisão passe por suas instâncias. Leninha foi explícita ao afirmar que o debate será coletivo. Não se trata de rejeição ao nome de Pacheco, mas de controle do processo. A direção estadual não aceita ser apenas carimbadora de uma articulação nacional.

A terceira razão é estratégica. Pacheco é um quadro de centro, com trânsito amplo. Presidiu o Senado em meio a crises institucionais e manteve diálogo tanto com o governo de Jair Bolsonaro quanto com Lula. Para parte da militância petista, falta identidade partidária. O apoio é pragmático, não orgânico. Isso exige compensações políticas na composição da chapa e no programa.

Do lado de Pacheco, a equação partidária tornou-se central. A permanência no PSD ficou inviável após o governador Romeu Zema lançar o vice Mateus Simões como sucessor. O PSD caminha para candidatura própria. União Brasil e MDB disputam a filiação do senador. O PSB também formalizou convite. A escolha envolve cálculo nacional. A federação entre União Brasil e PP pode não garantir palanque a Lula na disputa presidencial. O MDB oferece maior previsibilidade nesse aspecto. As conversas com Baleia Rossi avançaram.

Os rivais

Enquanto Lula e o PT não resolvem quem será o candidato que apoiarão ao governo de Minas, o adversário se reorganiza. Mateus Simões enfrenta dificuldades para consolidar sua chapa. O PL busca palanque em Minas para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, o que tensiona acordos locais. Ao se aproximar do União Brasil, o senador Rodrigo Pacheco conseguiu emplacar o aliado Rodrigo de Castro na presidência estadual da legenda, enfraquecendo o grupo alinhado a Zema dentro da federação com o PP. O movimento foi interpretado como tentativa de esvaziar a base do vice-governador.


Consolo

Há ainda a leitura de que o governo de Minas seria um prêmio de consolação a Rodrigo Pacheco após a não indicação ao Supremo por Lula. A avaliação não encontra respaldo entre os articuladores. O governo de Minas é considerado ativo estratégico, com orçamento robusto, estrutura administrativa ampla e influência regional decisiva. Para Lula, ter um aliado no comando do estado significa palanque consolidado em 2026. Para Pacheco, significa protagonismo no Executivo e reposicionamento nacional.


No PL

Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro tratam o ato convocado para 1º de março, às 10h, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte, como o primeiro grande teste de mobilização de rua da oposição em 2026 em Minas, em meio ao embate com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e decisões do Supremo Tribunal Federal. Impulsionado pelo deputado Nikolas Ferreira e pelo movimento “Acorda Brasil!”, o protesto deve reunir apoiadores sob os slogans “Fora Lula, Moraes e Toffoli” e “Libertem o Bolsonaro”, com defesa de anistia e revisão das penas aplicadas aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, dentro de uma agenda articulada simultaneamente em diversas capitais.

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Hospitais

A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) acionou o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais para instalar mesa de conciliação sobre atrasos nos repasses da Prefeitura de Belo Horizonte a hospitais 100% SUS da capital; enquanto a prefeitura atribui a demora ao Ministério da Saúde, que diz ter transferido R$ 2,8 bilhões ao município em 2025, entidades relatam retenção de recursos e dificuldades no atendimento.

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