Homens após os 50 ignoram este sinal noturno
Alteração comum ao acordar no escuro costuma ser confundida com velhice, mas esconde condição séria e eleva risco de acidentes graves
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O aumento da expectativa de vida dos brasileiros tem trazido novos desafios para a saúde masculina. Entre eles está a hiperplasia prostática benigna (HPB), condição caracterizada pelo crescimento não cancerígeno da próstata, que afeta cerca de metade dos homens após os 50 anos e se torna ainda mais frequente com o avanço da idade.
Embora não seja um câncer, a doença pode comprometer significativamente a qualidade de vida. Dificuldade para urinar, interrupções frequentes do sono e limitações nas atividades diárias estão entre os impactos mais comuns. Com o envelhecimento da população, especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce e de um tratamento individualizado.
Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), até 2050 as pessoas com 60 anos ou mais representarão cerca de um terço da população brasileira. Esse cenário deve aumentar a demanda por diagnóstico e tratamento de doenças relacionadas ao envelhecimento, como a HPB, especialmente entre pacientes que convivem com outras condições crônicas.
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Após os 60 anos, é comum que homens também tenham hipertensão, diabetes, dislipidemia e doenças cardiovasculares, além de fazerem uso de diversos medicamentos. Esse conjunto de fatores torna a escolha do tratamento mais complexa.
"O grande desafio não é apenas controlar os sintomas da HPB, mas fazer isso sem comprometer a saúde e a independência do paciente. Como muitos homens acima dos 60 anos já fazem uso de diversos medicamentos para outras condições, a escolha do tratamento precisa levar em conta não apenas a eficácia, mas também a segurança e o potencial de interações e efeitos adversos", explica a urologista Samira Posses, especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).
Quais são os sintomas da HPB?
Os sintomas costumam surgir de forma gradual e, muitas vezes, são confundidos com consequências naturais do envelhecimento. Os principais sinais incluem:
- dificuldade para iniciar a micção
- jato urinário fraco ou interrompido
- aumento da frequência urinária
- urgência para urinar
- sensação de esvaziamento incompleto da bexiga
- necessidade de acordar várias vezes durante a noite para urinar (noctúria)
Segundo a especialista, um dos principais obstáculos para o tratamento é que muitos homens demoram a procurar atendimento médico, acreditando que essas alterações fazem parte do envelhecimento.
Como consequência, o diagnóstico frequentemente ocorre quando o paciente já convive com outras doenças crônicas e utiliza múltiplos medicamentos, o que pode dificultar o manejo da condição.
Noctúria aumenta risco de quedas
Entre os sintomas da HPB, a noctúria merece atenção especiadl por seus impactos na saúde do idoso. A necessidade de levantar diversas vezes durante a noite para urinar prejudica a qualidade do sono e aumenta o risco de quedas.
Além disso, alguns medicamentos utilizados por idosos podem favorecer episódios de hipotensão ortostática — queda da pressão arterial ao se levantar rapidamente —, provocando tonturas e ampliando o risco de acidentes.
Tratamento individualizado
O tratamento da hiperplasia prostática benigna pode incluir mudanças no estilo de vida, medicamentos e, em alguns casos, cirurgia. Entre os fármacos mais utilizados estão os alfa-bloqueadores, que promovem o relaxamento da musculatura da próstata e facilitam o fluxo urinário.
Uma das opções disponíveis é a silodosina, alfa-bloqueador seletivo para receptores do trato urinário inferior. Segundo a literatura científica, o medicamento deve ser indicado após avaliação médica, considerando as características clínicas e as necessidades de cada paciente.
Nos últimos anos, a escolha do tratamento passou a priorizar não apenas a eficácia no controle dos sintomas, mas também o perfil de segurança, sobretudo em idosos que convivem com outras doenças e utilizam diferentes medicamentos.
"Muitos homens acreditam que acordar três ou quatro vezes à noite para urinar faz parte da idade, mas não faz. Existem tratamentos eficazes, seja com medicação ou cirurgia. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de preservar a qualidade de vida", ressalta Samira.
Preservar a autonomia
Além de aliviar os sintomas urinários, o tratamento da HPB busca manter a independência funcional do paciente e reduzir o impacto da doença sobre a rotina. "Controlar os sintomas urinários é apenas uma parte do tratamento. O que buscamos é permitir que esse homem continue vivendo com independência, mantendo sua rotina e atividades, como dirigir, viajar, praticar exercícios físicos e conviver com a família. Quando conseguimos preservar essa autonomia, também estamos contribuindo para um envelhecimento com mais qualidade de vida", afirma a urologista.
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Especialistas orientam que homens com sintomas urinários persistentes procurem avaliação médica. O diagnóstico precoce permite definir a conduta mais adequada para cada caso, controlar a progressão da doença e minimizar os impactos na qualidade de vida.