Além da Copa: o dispositivo que protege o rosto de traumas graves
De acidentes de patinete a grandes finais, médicos revelam como a tecnologia de proteção facial está revolucionando a recuperação de fraturas
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A Copa do Mundo termina no próximo domingo (19/7) e um acessório tem chamado a atenção durante os jogos: as máscaras faciais de proteção que alguns jogadores estão utilizando. Mais que um diferencial estético, elas desempenham um papel fundamental na recuperação dos atletas que sofreram fraturas ou outros traumas na face, permitindo o retorno aos gramados com maior segurança.
Durante esta edição do mundial, jogadores como Djed Spence (Inglaterra) e Stefan Posch (Áustria), que sofreram fratura da mandíbula, disputaram as partidas utilizando máscaras personalizadas para proteger a região lesionada.
De acordo com a otorrinolaringologista e cirurgiã crânio-maxilo-facial, Maria Victória Miranda, membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), este equipamento é indicado, principalmente, para pacientes que sofreram fraturas nos ossos da face, como nariz, zigoma (maçã do rosto), órbita ou mandíbula.
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Ela explica que a máscara facial funciona como uma barreira de proteção contra novos impactos durante o período de consolidação óssea, além de ajudar a reduzir o risco de agravamento da lesão, possibilitando o retorno mais precoce às atividades esportivas, desde que o paciente esteja liberado pela equipe médica.
“Normalmente, estas máscaras são confeccionadas sob medida, utilizando moldes ou escaneamento tridimensional do rosto do paciente e são produzidas com materiais leves e altamente resistentes, como fibra de carbono ou polímeros especiais, que distribuem melhor a força de um eventual impacto e diminuem o risco de novas fraturas.”
Quem pode usar?
Embora sejam frequentemente associadas ao futebol profissional, as máscaras faciais podem beneficiar qualquer pessoa, inclusive crianças, que esteja em fase de recuperação de uma lesão facial e precise retornar às atividades físicas ou profissionais com risco de impacto.
Maria Victória afirma que, além de o uso ser sempre individualizado, este não é um equipamento preventivo para qualquer pessoa, sendo que a indicação depende do tipo de fratura; do estágio de cicatrização e da avaliação do especialista. Segundo ela, em alguns casos, mesmo utilizando a máscara, o paciente não apresenta condições de retornar à atividade profissional. ”É importante ressaltar que mesmo oferecendo proteção adicional, o equipamento não torna a região lesionada invulnerável. Assim, o acompanhamento médico continua sendo indispensável durante todo o processo de recuperação”, conta.
Ela explica que a consolidação óssea inicial das fraturas faciais ocorre, em geral, em aproximadamente 30 dias. No entanto, durante os primeiros 90 dias após o trauma, o osso ainda se encontra em fase de remodelação, apresentando menor resistência mecânica e maior suscetibilidade a novas fraturas. “Após esse período, na ausência de complicações e com adequada consolidação, o osso tende a recuperar resistência comparável a de um osso que não sofreu trauma prévio”, diz.
Além do futebol
Embora tenham ganhado evidência durante a Copa do Mundo, as máscaras de proteção facial também são utilizadas em modalidades como basquete, handebol, rúgbi e artes marciais, além de serem indicadas para pessoas que sofreram acidentes ou passaram por cirurgias na face e necessitam retomar suas atividades antes da consolidação completa da lesão.
“Exposições como esta, que ocorreu durante a Copa do Mundo, são importantes para conscientizar as pessoas sobre a importância do diagnóstico correto; do tratamento especializado e do respeito ao tempo das lesões faciais”, relata a especialista, ao comentar que é importante ressaltar que esses dispositivos de proteção não são capazes de prevenir ou tratar todos os tipos de fraturas faciais.
“Nos casos de fraturas com desvio significativo dos fragmentos ósseos ou repercussão clínica relevante, como a presença de desoclusão dentária, a abordagem cirúrgica permanece como o tratamento de escolha para o adequado restabelecimento da anatomia e da função.”
Maria Victória ressalta que já existem dispositivos de proteção capazes de reduzir significativamente a incidência e a gravidade dos traumas de face. Capacetes do tipo BMX, que oferecem proteção mandibular e já são utilizados em alguns esportes, podem contribuir para a prevenção de fraturas faciais, especialmente em atividades como ciclismo e patinete, que estão entre as principais causas destes traumas em crianças e adultos, assim como protetores bucais confeccionados em placas finas, semelhantes aos alinhadores invisíveis, que representam uma alternativa simples, confortável e eficaz para reduzir as lesões dentárias.
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“O uso destes dispositivos é interessante como medida preventiva, especialmente durante a prática esportiva. Além disso, considerando a frequência de fraturas mandibulares em acidentes envolvendo bicicletas e patinetes, seria importante que os capacetes infantis incorporassem proteção para a mandíbula, ampliando ainda mais a segurança das crianças”, afirma.