Planta brasileira destrói até 93% do vírus da COVID em testes
Cientistas descobrem que composto de árvore nativa ataca o vírus de três formas diferentes, superando a eficácia de remédios usados atualmente nos hospitais
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Uma descoberta científica envolvendo uma planta brasileira pode abrir novos caminhos no combate à COVID-19. A pesquisa publicada em fevereiro deste ano na revista Scientific Reports revelou que compostos extraídos das folhas da espécie Copaifera lucens, a copaíba, apresentam uma ação antiviral potente contra o SARS-CoV-2, responsável pela pandemia global que ocorreu em 2020.
O estudo foi conduzido por cientistas do Brasil, como o professor Jairo K. Bastos, da Universidade de São Paulo (USP), além de especialistas do Egito, República Tcheca e Espanha, e identificaram que os chamados ácidos galoilquínicos (GQAs) atuam de forma multifuncional contra o vírus, um diferencial importante em relação a tratamentos atuais.
As folhas da copaíba analisadas foram coletadas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Segundo os autores, os compostos naturais da planta demonstraram capacidade de neutralizar o vírus em diferentes etapas do seu ciclo de vida, o que aumenta significativamente seu potencial terapêutico.
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“Ataque triplo” ao vírus SARS-CoV-2
O principal destaque do estudo é o chamado mecanismo de “ação tripla”, em que os GQAs atuam simultaneamente em três situações sendo elas:
- Bloqueio da entrada viral: os compostos impediram em até 80% a ligação do vírus às células humanas, dificultando o início da infecção.
- Interrupção da replicação: a substância inibiu em até 85,6% a ação da proteína RdRp, essencial para a multiplicação do vírus dentro das células.
- Efeito virucida direto: os testes mostraram que os compostos conseguem destruir partículas virais antes mesmo de entrarem em contato com as células, alcançando até 93% de inibição.
Esse tipo de abordagem chamada de multifacetada é considerado promissor, pois reduz as chances de o vírus desenvolver resistência ao tratamento: "Isso porque muitos antivirais atuais agem apenas sobre uma proteína viral, o que favorece esse efeito”, diz Bastos.
Outro ponto relevante da pesquisa foi o alto índice de seletividade (SI) apresentado pelos compostos, cerca de 102. Esse indicador mede o equilíbrio entre eficácia antiviral e segurança para as células humanas.
Um dos especialistas, professor da Delta University for Science and Technology, Mohamed Abd El-Salam, conta: “A abordagem integrada nos permitiu compreender não apenas como os compostos funcionam, mas também como atuam em nível molecular”.
Para comparação, outros médicamentos antivirais já utilizados no tratamento da COVID-19, como Remdesivir e Molnupiravir, apresentam índices menores, variando entre 30 e 80.
Na prática esses índices, indicam que os compostos da copaíba conseguem combater o vírus de forma eficiente sem causar toxicidade significativa nas células, um dos principais desafios no desenvolvimento de novos medicamentos.
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Próximos passos
Apesar dos resultados promissores, os cientistas destacam que a pesquisa ainda está em fase inicial, baseada em testes in vitro (em laboratório) e simulações computacionais. Para que o composto se transforme em um medicamento disponível, ainda serão necessários estudos pré-clínicos e ensaios clínicos em humanos. O estudo foi financiado por instituições como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e reforça a importância da preservação ambiental.
Além do avanço médico, a descoberta evidencia o valor estratégico da biodiversidade brasileira para a ciência global. Plantas nativas, muitas vezes ainda pouco estudadas, podem esconder compostos capazes de enfrentar doenças complexas.
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*Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca