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Páscoa: especialista explica a ciência do chocolate e a gestão do desejo

Entenda o impacto do açúcar no corpo e estratégias para consumir chocolate com consciência

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A Páscoa traz o desafio de conciliar a tradição dos ovos de chocolate com a manutenção da saúde metabólica. Para a endocrinologista Carla Marys Adlung, que integra a plataforma INKI, o período é uma oportunidade de alfabetização alimentar. “O foco deve estar em entender como o corpo processa o açúcar e o cacau, adotando ferramentas comportamentais para manter o equilíbrio”, explica a médica.

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De acordo com a endocrinologista, o consumo excessivo de chocolates tradicionais (brancos e ao leite) pode levar à fadiga e desconfortos. A médica esclarece que, após a ingestão de altas doses de sacarose e gordura, o metabolismo enfrenta uma sucessão de eventos complexos.

Nas primeiras 24 horas, o corpo atinge um pico de glicemia entre 30 e 90 minutos após a ingestão, disparando uma liberação importante de insulina. “Em pessoas sedentárias ou com menor sensibilidade à insulina, esses níveis podem permanecer elevados por várias horas, acompanhados de um aumento nos triglicerídeos plasmáticos”, ressalta.


“A frutose presente no açúcar é metabolizada principalmente pelo fígado, favorece a produção de gordura (lipogênese hepática). Além disso, componentes do cacau, como a teobromina, podem influenciar a resposta da insulina em alguns contextos”. A endocrinologista ainda esclarece que o sistema gastrointestinal também é afetado: o chocolate pode relaxar o esfíncter esofágico, facilitando o refluxo e a azia, enquanto o excesso de açúcar altera a carga osmótica, podendo causar gases, distensão e desconforto abdominal.


Sinais de sobrecarga e saúde intestinal


Os principais sinais de que o corpo está lidando com uma sobrecarga incluem cansaço, sonolência e irritabilidade associados a flutuações glicêmicas; dores de cabeça em indivíduos suscetíveis; e alterações no hábito intestinal.



A médica pondera que, embora o cacau possua polifenóis benéficos, o alto teor de açúcar das versões convencionais pode favorecer alterações na composição bacteriana em curto prazo, criando um ambiente mais fermentativo. “Em indivíduos saudáveis, um episódio isolado tende a ser compensado com boa hidratação e retorno à rotina, mas em pessoas com resistência à insulina ou gordura no fígado, esses excessos podem contribuir de forma cumulativa para a inflamação subclínica”.

Guia de compra e consumo consciente


Além da porcentagem de cacau, Carla alerta para a leitura dos rótulos. Chocolates zero açúcar podem conter teores elevados de gordura saturada e adoçantes como maltitol ou sorbitol, que causam desconforto gástrico em algumas pessoas. “O ideal é que a massa de cacau e a manteiga de cacau apareçam no topo da lista de ingredientes, antes de outras gorduras vegetais”.


Quanto ao momento do consumo, a estratégia para minimizar o impacto na glicemia é ingerir o chocolate logo após uma refeição principal, como o almoço. Proteínas, gorduras e fibras presentes na refeição retardam a absorção dos carboidratos, suavizando a resposta da insulina. “Evitar o consumo em jejum ajuda a prevenir picos acentuados de glicose e a fadiga subsequente”, finaliza.


Estratégias de Mindful Eating (Atenção Plena)


Para evitar o comer automático, a médica sugere:


Definir a porção previamente: Sirva em um prato em vez de comer direto da embalagem.


Comer sem distrações: Sentar-se à mesa, longe de telas, aumenta a percepção de saciedade.


Engajar os sentidos: Observe o aroma e a textura, mastigando devagar para prolongar a satisfação sensorial.


Avaliar a motivação: Identifique se a vontade é fome física ou um impulso emocional (ansiedade ou tédio).

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Autocompaixão: Se houver exagero, substitua a culpa por um retorno gentil à rotina equilibrada e boa hidratação.

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