ALIMENTOS

Alergias na infância: riscos da anafilaxia e a infraestrutura de emergência

Condição exige rápido reconhecimento dos sintomas e o suporte de UTIs pediátricas para evitar desfechos fatais em casos de reações severas

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Inofensivos para a maioria das pessoas, alimentos comuns como leite de vaca, ovos, amendoim e frutos do mar podem representar um risco iminente para uma parcela significativa da população infantil. As alergias alimentares são uma resposta exagerada do sistema imunológico a determinadas proteínas e, em seus quadros mais graves, podem evoluir rapidamente para a anafilaxia — uma reação sistêmica letal se não tratada a tempo.

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Segundo a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), estima-se que as alergias alimentares afetem de 6% a 8% das crianças com menos de três anos de idade. A condição também é mais comum em pacientes que apresentam outros tipos de doenças alérgicas, incidindo em 38% das crianças com dermatite atópica e em 5% das crianças com asma, por exemplo. A predisposição genética também impacta filhos de pais e mães com alergia, os quais têm 75% de chance de serem alérgicos também. A identificação rápida dos sinais e a intervenção médica imediata são os pilares para salvar vidas durante uma crise.

A gravidade do tema ganhou evidência nacional nos últimos dias após o caso envolvendo a pequena Zaya, de 3 anos, filha do jogador de futebol Hulk Paraíba. A criança apresentou um quadro de choque anafilático e, após receber os primeiros socorros, foi transferida para a Rede Mater Dei de Saúde, onde contou com suporte pediátrico intensivo e especializado até sua completa estabilização e alta.

Sinais de alerta

Adriana Pitchon, alergista e imunologista clínica e pediátrica na Rede Mater Dei, explica que as alergias alimentares normalmente se manifestam em um período que pode variar de minutos até 2 horas desde a ingestão dos alimentos. “Os sintomas variam, podendo incluir o aparecimento de vermelhidão ou de lesões de pele, como a urticária e/ou inchaço da face, lábios e olhos, vômitos repetidos, dificuldade para respirar, chiado, tosse persistente, estridor, rouquidão, sonolência, tontura, palidez, queda da pressão e desmaio”, afirma a especialista.

Quando a alergia atinge um estágio severo, conhecido como anafilaxia, os riscos são ainda maiores, pois a combinação de fatores, como a obstrução das vias aéreas e a queda brusca de pressão arterial, pode levar rapidamente à perda de consciência e parada cardiorrespiratória, exigindo a aplicação de adrenalina autoinjetável e suporte hospitalar de alta complexidade.

“O choque anafilático é a forma mais grave da anafilaxia, caracterizado por uma falha circulatória que ameaça a vida. A adrenalina (epinefrina) é o único medicamento capaz de reverter simultaneamente todos os sintomas da anafilaxia. Por isso é essencial a agilidade no atendimento, uma vez que a reação evolui de forma rápida e imprevisível, e o atraso na aplicação é um fator de risco para fatalidades”, alerta o Coordenador da UTI pediátrica do Hospital Mater Dei Contorno,  Luís Fernando Andrade de Carvalho.

No entanto, o tratamento não se encerra com a melhora inicial da criança na sala de emergência. "A UTI Pediátrica entra em cena quando o paciente apresenta uma anafilaxia refratária – ou seja, que não respondeu às doses iniciais de adrenalina intramuscular – ou para a identificação de uma possível reação bifásica, caracterizada pela recorrência dos sintomas graves de anafilaxia após uma melhora inicial aparente, mesmo sem nova exposição ao alérgeno”, explica o pediatra.

“Crianças que tiveram reações graves ou que precisaram de mais de uma dose de adrenalina devem ser observadas por, no mínimo, 12 horas após a resolução dos sintomas. Esse período é crítico porque, embora a criança pareça bem, os mediadores inflamatórios podem causar um novo colapso respiratório ou cardiovascular horas depois", destaca a especialista.

Como agir em caso de reação alérgica?

Em caso de suspeita de alergia alimentar, a primeira medida é a suspensão imediata do alimento suspeito da dieta. Posteriormente, é fundamental buscar a avaliação de um especialista para confirmar o diagnóstico e estabelecer um plano de ação, que consiste em instruções claras sobre como agir e tratar uma possível reação alérgica ou anafilática. Também deve ser avaliada, juntamente ao médico especialista, a necessidade de portar o autoinjetor de epinefrina.

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“No caso da alergia alimentar ser confirmada, a criança, todos os seus cuidadores e pessoas do convívio íntimo devem ser informadas a respeito da alergia e alertadas quanto à importância da exclusão daquele alimento da dieta do paciente”, indica Adriana, reforçando a importância do diagnóstico correto e de planos de ação nas escolas e em casa. “A leitura cuidadosa dos rótulos também ajuda a evitar os consumos acidentais. Atualmente muito pode ser feito para melhorar a qualidade de vida do bebê/criança alérgico e de sua família, incluindo (em casos específicos) tratamentos capazes de ajudar a criança a atingir a tolerância.”

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