Maternidade: preparo de refeições do zero exige cerca de 10 horas semanais
Pesquisa identificou que 72% das mães brasileiras sentem culpa ao recorrer a soluções prontas; alimentação consciente reflete uma mudança geracional
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A conta da maternidade contemporânea raramente fecha. Entre a carreira e o desejo de uma criação afetiva, um novo dado traz luz ao cansaço invisível das famílias brasileiras: preparar a alimentação infantil do zero pode consumir até 10 horas semanais, segundo o estudo "Tempo de preparo de alimentos e o perfil nutricional da dieta" da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A pesquisa engloba desde o tempo investido com a ida ao supermercado ou feira, higienização dos ingredientes, separação e preparo.
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O tempo, equivalente a mais de um dia de trabalho em jornada comercial, levanta o debate sobre a "Maternidade Real" de como equilibrar a saudabilidade com a necessidade de estar presente. Para muitas mulheres, a solução óbvia da praticidade ainda vem acompanhada de um peso emocional. Uma pesquisa realizada pela Shopee em 2023, que mapeou o comportamento de consumo das mães, identificou que 72% das mães brasileiras sentem algum nível de culpa ao recorrer a soluções prontas, muitas vezes justificando a escolha pela falta de tempo.
De mãe para mãe: a busca pelo equilíbrio
Para Paula Machado, mãe do Bernardo, de 8 anos, Rafael, de 6, e Sara, de 3, esse dilema não é apenas estatística, é rotina. Como fundadora e diretora de inovação da Papapá, norteada pelos próprios desafios de ser uma mãe presente enquanto equilibra as demandas do dia a dia, o foco não deve ser a rapidez pela rapidez, mas a liberdade de escolha.
"Com a correria de hoje em dia, nossa casa acaba sendo o lugar onde nossos filhos passam menos tempo. Estar com eles de forma intencional requer esforço para dedicar nossa atenção exclusivamente a eles. Ter alimentos práticos e saudáveis à mão é o que permite que esses momentos aconteçam sem o estresse da cozinha", explica Paula.
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Ela reforça que a praticidade não exclui o prazer de cozinhar, mas oferece um respiro necessário. "Na minha família, amamos jogos de tabuleiro. Isso não seria possível se eu tivesse que passar todas as horas me dedicando ao fogão, embora eu também valorize e tenha meus momentos preparando o alimento deles do zero. O importante é ter apoio para quando o tempo aperta".
Segurança que vem do rótulo
A transição da "culpa" para a "tranquilidade" passa pela confiança no que está no prato. Paula conta que sua jornada nasceu da sua própria exigência materna. Antes de empreender, ela era a mãe que analisava cada detalhe técnico antes de oferecer algo aos filhos.
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"Sempre que eu comprava um produto pronto, a primeira coisa que olhava era a lista de ingredientes e a tabela nutricional. Eu precisava saber que aquilo nutriria de verdade", conta.
Presença que nutre
O movimento em direção a uma alimentação pronta e consciente reflete uma mudança geracional. O entendimento é que a "boa mãe" não é definida pelo sacrifício do tempo, mas pela qualidade do vínculo.
"Nossos filhos precisam de nós por inteiro. Olhar nos olhos enquanto eles contam as novidades do dia faz com que se sintam amados e pertencentes. Poder dedicar essas horas a eles não tem preço", afirma Paula.
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No fim das contas, a tecnologia alimentar surge não para substituir o cuidado materno, mas para ser o braço direito que permite que esse cuidado aconteça onde ele mais importa.